Eu amo andar de bicicleta! Eu sei a liberdade que é! – L. Sobral

30/04/2010

Apesar de termos saído de Santiago 15 horas antes do terremoto e chegado no Brasil após o término do horário de verão, seguimos na nossa batalha diária de continuar vivos sobre duas rodas em meio a tanto descaso e negligência por parte dos motoristas.  Nesse meio tempo, fui agredido de moto por uma motorista que simplesmente “não me viu”. Isso talvez tenha me chamado a atenção não tanto por ser a primeira queda de moto no trânsito na vida, mas por ter me feito sentir algo mais do que o “jah bless this driver” que sempre senti ao ser agredido. Uma indignação por saber que embora isso não seja normal, tenho que concordar que é algo comum.  Eu não vi a moto… Eu não vi a bicicleta… Eu não vi o pedestre… Eu não vejo nada que é menor do que o veículo que eu dirijo. E assim se estabelecem as relações de poder no trânsito. Se você não tem rodas nem motor, tás no inferno. Se tem uma roda é palhaço. Se tem 2 rodas, não te vi. Se tem 3 rodas é excêntrico (fora do eixo), se tem 4 rodas ou mais, começa a poder se prevalecer disso, em ordem crescente de rodas, potência, massa, e consequentemente inversa: eficiência energética.

Nesse cenário assistimos também o projeto de lei que visa a inclusão da estrutura cicloviária no plano diretor municipal de Florianópolis ser vetado pelo governador do estado e só o circo armado acerca da elaboração do mesmo,  pode explicar as piadas que tentamos entender sem achar muita graça.

A volta à realidade é sempre um choque.  O exercício é o de manter mesmo em nossas vidas diárias na cidade, a abertura e postura de quando viajamos. Aceitando mais, conhecendo mais e  não nos deixando abalar  por quaisquer que sejam as condições externas. Seu corpo é sua igreja, suas atitudes são suas religião. Seu “religare” com a essência do que faz bem pra você e pro mundo.  Saber que mesmo embora muita gente ache que você é esquisito por querer viajar em bicicleta, ou por qualquer outro bom hábito que você tenha, quem realmente pode saber o que te faz bem é você mesmo.  E quem deve saber o que é melhor pra todo mundo, é todo mundo! Pedalemos todos pra dentro das cabeças das pessoas para que elas se lembrem de nós antes de mudar de pista.

Nossa equipe já está toda de volta, viva, e cheia de idéias nas cabeças arejadas pelo vento Patagônico.

Centro de Eco-turismo na Ufsc, Yendegaia, o grande pedal do próximo verão, mestrado, barco solar, tcc… Tem de tudo. E sabemos que o volume de realizações depende diretamente do nosso empenho.  Nos sentimos fortes no frio, na chuva, na subida e na hora das decisões. Nosso combustível mais aditivado está no fundo de nossos corações.  Pedalar  faz isso balançar e não encracar lá no fundo.

Elimine as coisas que te arrastam.

Livra-te dessa 1 tonelada de armadura de aço e plástico   que carregas!

19/02/2010

Balancando um pouco por conta da navegacao e confortavelmente instalado na minha´´butaca´´ sem nùmero, faco um breve intervalo para tirar o Anorak. Sim, finalmente sinto calor. Depois de uma inèrcia fenomenal que nos prendia a cidade de Coyhaique, capital da provìncia de Aisèn, finalmente conseguimos nos libertar e tomamos rumo novamente. Ali encontramos um ´´maestro´´de bicicletas, pecas de reposicao e muitos outros cicloviajeros. Vale a pena destacar aqui as campanhas pùblicas como a do ´´Natal sem presentes bèlicos´´.

Ao sair de Coyhaique optamos pelo caminho de ripio, 40km mais longo (64 de asfalto X 104  de pavimento), embora mais chacoalhado.

A passagem da ´´Travesia Ecobike Patagonia Sin Represas´´ por ali tambèm motivou o abaixo assinado a favor do plano cicloviàrio para a cidade, que nao tem absolutamente nada feito para as bicicletas.

Entretido com as ladeiras de ripio, fui surpreendido por um rombo no meu pneu traseiro. Aì entao entrou em acao a fita anti-furo, cuja funcionalidade havìamos questionado atè entao.

Em meio a muito ´´nada´´, nos surge um senhor extremamente excentrico, com calcas de pele de animal, esporas lustradas e um domìnio sobrenatural de seu cavalo. Ao saber da nossa situacao, nos indicou  que rodàssemos atè a pròxima vila (Villa Ortega-450 habitantes) e nos hospedàssemos  na casa de sua filha. Hospitalidade surpreendente. Talvez por ver as bicicletas adesivadas com ´´Patagonia Sin Represas´´, percebeu que havia ali alguma afinidade.

Em um lugar tao pequeno e tao distante de tudo, nao imaginava que encontraria um pneu. Rafael foi na frente e logo voltou com as boas novas.  ´´Nao te preocupes cumpàdi,  true rasta family nos espera. Tem uma bici de DH e duas rodas sobrando´´.

Logo ao chegarmos, nos entregou as rodas para que escolhessemos, indicou o local do quintal para que acampàssemos e nos convidou a entrar e compartilhar. Ao entrarmos na casa, entrava no forno uma assadeira cheia de pao caseiro, e ali ´´nos quedamos´´ a conversar noite adentro acerca dos temas atuais da Patagonia, ao som de nada mais nada menos que Clementina de Jesus. Destaque extra-especial para as criancas lindas e carinhosas. Nico (8), Sofia (6) e Newen (2), que recebeu o nome Mapuche que significa ´´forca interior´´ ao nascer prematuro aos 6 meses, com apenas 1kg. Senti ali uma afinidade prematura e conversamos um pouco sem palavras, rindo bastante.

Pneu novo, bucho cheio de mermeladas feitas com frutas da regiao (hmmmm…) e um lindo dia de sol. Raro. Ao chegarmos a vila de Manihuales, fomos alvejados pou um ciclo-ser auto-denominado ´´cazador de ciclistas´´.

Nos encontrou em um momento contemplativo, dizendo que tinha uma hospedagem e nao cobrava de ciclistas.  Religioso, guardava trechos da Bìblia que nos dizem que ´´ pisemos fuerte en la vida´´, sendo esta a motivacao de pedalar e ajudar os que pedalam. 21 quartos com camas, banho quente e cozinha. Creio que esta tenha sido a noite mais estrelada atè entao. Jorge, recebeu o local abandonado e agora pensa em tranforma-lo em um parador para cicloviajantes, com oficina e pecas de reposicao. Muito bem dormidos, seguimos dividindo a via com os caminhoes que levam salmao de um criadouro a outro, em tanques com atmosfera de nitrogenio.

Villa Amengual nos acolheu, onde encontramos ´´El Indio´´, polìtico local que em muito contribuiu com suas opinioes a respeito das represas na Patagonia. Gostava do Pinochet, da Carretera, mas nao das represas.

Agradecimento especial tambèm a Tania e Carolina, que pedalavam rumo ao sul, para tentar alcancar o pessoal do EcoBike-Patagonia Sin Represas. Estavam atrasadas e se encontrariam com o grupo em Coyhaique. Muito interessadas na causa e no projeto, via-se a vontade de fazer algo pela Patagonia e literalmente vestiram a camisa do nosso projeto e saìram entrevistando a comunidade. Ajuda sem preco. Gravaram tambèm toda a entrevista com o legìtimo ìndio patagonico que nos contava com calma e sarcasmo a història do desenvolvimento da regiao e as dificuldades geradas pelo isolamento de quem ali viveu antes da Carretera, transportando tudo a cavalo, sem informacao e acesso as melhorias que se resumiam às partes mais acessìveis do paìs.

Esfacelou-se. De volta ao ripio, fomos magneticamente atraìdos por um quiosque pequenino, com maravilhas gastronomicas expostas aos transeuntes. Ve-se na foto que falta 1 pedaco de cada (framboesa, maca e limao), que nos fez pensar que embora viajemos juntos, as percepcoes e experiencias continuam sendo individualmente diferentes. O In-La-Kech-eu sou o outro voce, incluiu a Samanta, que nao falou nada mas pareceu sentir a mensagem daquele ato.

Estrada linda, muita bajada, e um pit-stop na ponte pra observar aqueles saborosos salmoes lutando contra as pedras e a correnteza ao subirem o rio. Chegàvamos entao a uma das ladeiras mais esperadas, jà dentro do Parque Nacional Queulat. Uma casa abandonada a beira da estrada virou o berco destas criancas que cada vez mais questionavam o merecimento de tanto arrego.

Destaque especialmente negativo para a administracao do Parque Nacional Queulat, que em nada contribuiu para o nosso projeto. Ali representada por um senhor com ´´ olhos de cifra$´´, que se negou a nos receber e questionou a veracidade da carta de apoio que recebeu por email do reitor de nossa universidade. Jah bless, virei as costas e saì ´´ pisando fuerte en la vida´´ para manter o animal que vive dentro de mim na coleira. A mudanca de planos nos fez avancar pedalando noite adentro, e jà perto das 22hs o mesmo drama que me assolava (bagageiro quebrado) atingiu tambèm o Mauricio.

A Natureza nao falha. Sempre que encontrares um sujeito como o acima descrito, podes ter certeza que um ´´buena onda´´ estarà por vir, quando mais precisares. Em meio ao nada escuro, e sem poder avancar, conhecemos um cara que se propos  a levar a bagagem do Mau atè a proxima cidade (La Junta). Ainda nao contente em nos salvar, ofereceu sua casa para dormirmos e no dia seguinte partiu cedo e nos deixou ali, com todos os seus pertences. Um pouco de mecanica indìgena e artesanato, e os bagageiros foram ´´engessados´´.

Finalmente o primeiro mergulho, no Rio Yelcho.

Ao final deste dia, vimos nas bordas da estrada uma areia branca e fina, que nos dava uma grande e falsa alegria, por pensarmos que ali estava representada a aproximacao do litoral. Nada de areia. Ao Chegarmos a Chaitèn, percebemos que aquilo tudo eram cinzas do vulcao. Em maio de 2008 o vulcao Chaitèn derramou sobre toda a cidade um rio de cinzas que cobriu tudo e causou uma evacuacao emergencial.

Nao tivemos Carnaval, mas com certeza essa foi a quarta-feira de cinzas mais tìpica que jà vivemos.

Curioso que com isso,  o rio que por ali passa retomou o seu curso original, apòs ter sido desviado pelo home para que se criasse um novo bairro. (Natural…)

A situacao atual è curiosa. Existe em Chaitèn um fluxo  consideravel de turistas entre a ilha de Chiloè e a Carretera Austral, oferecendo boas oportunidades. Ao mesmo tempo, o governo chileno nao quer que a populacao volte para a cidade, devido aos riscos de estar pròximas ao vulcao. Sendo assim, a cidade continua sem fornecimento de àgua e luz, fazendo com que os bravos que ali insistem em viver busquem altenativas diversas de sobrevivencia, às quais o homem patagonico sempre esteve acostumado.

A ligacao com a terra onde vive, que um desenvolve ao longo de sua vida, anda junto com a liberdade de escolha de onde viver, seja perto ou longe do vulcao.  Sao comuns as històrias de senhores que viveram ali sua vida toda, e morreram ao saber que nao poderiam voltar.

Me fascina o fato  de os cidadaos continuarem pagando impostos, mesmo sem àgua e luz.

Situacao complicada que nos intriga e comove.

Deixamos aqui nosso relato, cheio de uma vontade sincera de fazer algo por esse lugar.

JAH BLESS CHAITÈN!!!

08/02/2010

Dessa vez nao passa! Talvez o que mais se fotografou e mais representou realmente o propòsito de socializacao da nossa viagem foram os cachorros. Sao momentos muito especiais em que compartimos da vida na rua, nas estradas em busca de comida, e um lugar quentinho pra dormir. Sao muitos cachorros grandes e bem cuidados. Esse da foto apelidamos de Milodòn, trabalha com turismo receptivo em El Chalten.

Desde nossa ùltima atualizacao em El Calafate, muita coisa aconteceu com os ciclodiplomatas que seguem driblando os conflitos fronteiricos existentes entre Chile e Argentina e se tornam agora o alvo (nao nòs, os conflitos)  de nossas acoes visando incentivar o uso da bicicleta nessa regiao. Em El Chaltèn, fomos muito bem recebidos pelo guarda-parque Pablo no Centro de Informacoes do Parque Nacional Los Glaciares.  O espaco todo è bem especial, com sala multimidia para a exibicao de filmes e toda uma estrutura que mostra o que o parque tem de especial. Assistimos alguns filmes sobre escalada e um outro muito interessante que retrata a vida dos Guarda Parques (chora Soldier!), chamado ´´La Delgada Linea Verde´´. Foco bem direcionado para a escalada, sendo El Chaltèn chamada de capital nacional do Trekking (Argentina). Fato semi-inèdito:essa regiao do parque disponibiliza uma trilha para bicicletas e pedestres, com preferencia de passagem para os ciclistas. No ano passado encontramos isso tambem no Parque Nacional Los Arryanes, em Villa La Angostura, Argentina.

Ali chegamos ao final de um longo perìodo de 15 dias de chuva e as trilhas todas estavam inundadas. Aproveitamos para ir ouvir o Reggae-Ska dos ´´Los Siete Venas from Del Monte´´, altamente recomendado. Recuperados, tomamos a estrada em direcao daquilo que seria o ´´filè´´ da nossa viagem. Tanto no Ushuaia, onde tentamos passar ao lado Chileno para a Baìa Yendegaia (post 2) como na saìda do Parque Nacional Torres del Paine em direcao a El Calafate (Laguna Azul), nao pudemos cruzar a fronteira devido a ausencia de um passo fronteirico habilitado, fazendo com que tivessemos que dar uma volta enorme, por estradas mais movimentadas e menos atrativas. Devido a uma sèrie de interesses economico-turisticos tanto de Chile como Argentina, nao lhes convèm habilitar aduanas nos trechos citados. Eis uma nova bandeira a ser aqui levantada. Prova disso,  o caminho que estavamos prestes a percorrer. Entre El Chalten (Argentina) e Villa O`Higgins (Chile) existe uma aduana temporària que funciona entre Novembro e Abril. Sao 40km pedalados atè Lago del Desierto, onde se toma um barco de 30 min que te deixa na porta do Paraìso. Um paraìso de raìzes, pedras, valas, e muita, mas MUITA lama.

Rodas  de chocolate, um solo seriamente cavucado pelas ferraduras e muito gelo derretido pra beber no caminho. Como optei por dedicar mais tempo a esse trecho, observei o monte Fitz Roy sò de longe,

e portanto tive a cèlebre experiencia de passar um dia completamente sozinho no mato desconhecido sem encontrar seres humanos. Com muito vento, as àrvores balancavam bastante, e uma sèrie de sons bizarros me entretiam naquela empurracao de bicicleta com alforges montanha acima.  O lado argentino està melhor preservado e pode ser recorrido somente a pè, a cavalo ou em bicicleta. Pedala-se pouco e empurra-se muito. Hà ainda a opcao de alugar cavalos e assisti-los carregar suas coisas.

Jà no lado chileno, uma ladeira digna de estender as maos ao cèu e se perguntar: o que foi que eu fiz pra merecer isto? Bordas cheias de vazio ao lado e muita pedra solta, e o visual alucinante do Lago O`Higgins desde Candelario Mansilla. Trata-se de uma estancia que serviu de apoio ao servico fronteirico durante muitos anos, onde hoje vivem somente D.Justa e Don Geronimo. Ela tem um jardim borbulhando de flores que hipnotizam o nariz de qualquer um que passe por ali.

Um clima de casa da vovò intenso, pao caseiro e todos os dias as 20hs, a ùnica refeicao servida num raio de muitos km.Pela cara do Rafa dà pra imaginar o quanto estava bom o Guizado de ervilhas.

Como os que foram ao Fitz Roy nao chegavam  nunca, usei isso de desculpa pra ir em busca deles, o que me daria a oportunidade de recorrer aquele trecho abencoado 2 vezes mais, e sem alforges. Para sair de Candelario Mansilla, teria de subir aquele trecho loooooooooooongo e inclinado do dia anterior, e como se isso nao bastasse para dar bom-dia aos joelhos, logo na saìda meu pè escorregou e dei aquela velha e c0nhecida joelhada na mesa da bicicleta, onde vai preso o guidao. Foi uma experiencia muito interessante, porque muitas vezes ao sentirmos uma dor intensa, sentimos vontade de gritar e nao o fazemos seja por vergonha ou pra nao assustar as criancas. Como ali nao tinha ninguèm vendo nem ouvindo…

Isso chamou a atencao do Sr. Ricardo, filho de D. Justa, que passa os veroes ali. Ao encontra-lo, me disse que tambem havia machucado o joelho mas nao podia parar de trabalhar, e isso foi o que me motivou a seguir pedalando, mesmo com o joelho cataclismàtico. Ele enchia a cacamba da caminhonete de lenha e me pediu ajuda para deitar uma àrvore que havia cortado mas nao conseguiu deitar.

Fiquei por ali mais alguns instantes pensando sobre aquelas coisas e tentando estabelecer uma relacao amigavel com o meu joelho. Foi um momento muito especial, com um sol confortante e um isolamento saudàvel. Pela foto pode-se notar a total integracao ao ambiente.

Toda aquela essencia da vida presente no ar me fizeram esquecer a relacao joelho-mesa e logo estava no lado Argentino. A trilha estava muito mais seca que no dia anterior e por estar sem os alforges tudo me surpreendia a cada trecho. Mais veloz, mais tècnico e muito, mas muito mais divertido. E no meio dessa diversao toda encontrei o resto da turma e tambèm os dois cicloviajerosFinlandeses que conhecemos em Rio Grande e temos encontrado muitas vezes aqui e ali. Me sentia bem vadio ali sem alforges e assistindo o perrengue do pessoal.  Um dos finlandeses usava uma carreta ao invès de alforges, e em alguns moment0s a coisa complicava. Muita paciencia e solidariedade.

Hora de pular pra dentro do QUETRU, embarcacao que nos levaria atè a ùltima pontinha sul da Carretera Austral. E mesmo se tratando de navegacao em um lago, os ventos chacoalham bastante.

Chegamos entao a Carretera Austral, e os 7 km que separavam o porto da cidadezinha de Villa O`Higgins nos fizeram dormir sonhando em continuar aquilo no dia seguinte. A estrada de ripio relativamente nova, parece ser màgica. Em alguns pontos nao se tem a impressao de estar em uma estrada de terra, de tao bem compactada, mas ela nao è inteira assim.

Seguimos entao por 30 km, mas a alegria durou pouc0. A foto abaixo mostra nosso drama.

O Mecanismo que liga as catracas ao cubo è uma parte safada da bicicleta, na qual nunca mexemos e atè h0je nunca vi nenhuma oficina que a inclua nos itens revisados. Ao falhar, a catraca gira e a roda nao.

Estavamos completamente sem um prostituto, e agora sem locomocao independente.  A Natureza imperou uma vez mais e bem ao lado de onde estàvamos havia uma cabana semi-abandonada. Haviam objetos pessoais e sinais de que alguem havia estado ali, mas a casa estava toda aberta e largada. Nos sentimos como o Alexander Supertramp (Chiquito) encontrando o onibus em  Into the Wild. Fogao a lenha, calorzinho, noite tranquila.

Salva de palmas para o maestro da Figòn bicicletas, em Coyhaique, que como poucos mecanicos de bicicleta, mantèm pecas antigas com potencial de reutilizacao. Canibalismo leve num cubo antigo ali parado e tudo ficou bem.

Coyhaique foi tambèm, entre os dias 5 e 7 de fevereiro,  o palco do Banff M0untain Film Festival, e decidimos aproveitar a oportunidade. Muitos filmes de escalada, base-jump, montanhismo e alguns de bicicleta. Tentamos mostrar o clip da  primeira parte de nosso projeto (http://www.youtube.com/watch?v=g9RypUSTIck), mas ficou pras pròximas edicoes do festival, agora em Puerto Natales e Punta Arenas.

Foi meio frustrante, pois estava tudo certo, estàvamos na programacao, mas em cima da hora a conversa mudou e nao estaremos presentes nas exibicoes.

De qualquer maneira, o festival foi muito valioso para que pudessemos desenvolver um olhar crìtico em relacao a documentarios e filmes de aventura. O tema das represas aqui na provincia de Aysen està fervendo, e isso se mostrou claramente nas producoes locais.

Em Coyhaique funciona a sede do movimento Patagonia Sin Represas, comandada por Peter Hartmann (www.aisenreservadevida.cl), que conhecemos num dos intervalos do festival e nos recebeu no quartel general do movimento.

Nossos parceiros do Ecobike se aproximam rumo ao Sul, e hoje tivemos a alegria de encontrar nosso grande amigo Gonzalo Barros, a frente do bando de 30 cicloviajeros em defesa da Patagonia livre de Represas. Muita conversa pra por em dia.

Seguimos entao ao trecho final de nossa pedalada e agradecemos a todos que nos incentivam e emocionam por meio dos comentario.

Um grande abraco – EcoAustral 2010

26/01/2010

Pra iniciar, um clàssico. Collor, Zèlia, golpe nas poupancas, caras-pixadas, essa època foi meio esquisita na nossa Història. Mas nem tudo foi um desastre. Com a abertura das importacoes, chegava ao Brasil a recem-inventada bicicleta de montanha. A da foto està sendo usada por um gentil jornaleiro hà nada menos que 18 anos. Nao troca por nada, funciona perfeitamente. Menos descartàveis que as de hoje…  Ver  uma bicicleta assim tao bem  cuidada  e funcionando  desperta uma nostalgia positiva. Saudades.

Depois de um breve intervalo longe das tecnologias digitais acessìveis, aqui estamos novamente para dividir um pouco do que vem acontecendo conosco nessa parte um tanto quanto peculiar do planeta. Nosso ùltimo relato foi feito a partir de Rio Grande, onde chegamos um tanto quanto apavorados depois de 3 dias de pedal de lado, deitados no vento lateral. As condicoes encontradas nos fizeram sentar e discutir nossas perspectivas a partir daquele momento, de modo que nosso cinegrafista e fiel escudeiro Alexandre Brandao optou por deixar a barca, tomando um onibus a Buenos Aires. O atraso proporcionado pelo despacho das bicicletas nos levou a uma reformulacao logìstica muito bem ilustrada pelo coelho branco do paìs das maravilhas. A chapa esquentou, e agora as ponderacoes envolvento tempo e distancias tomam outra dimensao. Pensa daqui, pondera dali, esgotam-se as alternativas a nao ser sair pedalando atras do tempo perdido. Aduanas, muito Ripio, uma noite no meio do nada e uma carona pra nao perder a balsa a Punta Arenas. Eleicoes no Chile. A volta da direita depois de 20 anos.

Atencao especial pra galerinha de Porvenir que interrompeu nossa siesta em praca pùblica com as pedras que voavam em nossa direcao, expelidas por bicicletas fazendo curvas deitadas e derrapando. Eis entao que escolhemos para descansar um local tao especial quanto a àrea de escape da curva mais encrencada da pistinha da molecada. Todos muito figura, com muitas peguntas e conhecimentos especificos sobre o Brasil. Na hora de ir embora, um dos pequenos me presenteou com um crucifixo, dizendo que aquilo deveria ser usado para matar o capeta, caso o mesmo aparecesse. Fato curioso que nesse mesmo dia pedalavamos por um caminho escuro e escolhemos um local protegido do vento para dormir, sem barraca mesmo, e depois descobrimos que aquela formacao rochosa tinha o nome de Silla del Diablo (banqueta do capeta). Nosso patuà pelo jeito funciona, porque o coisa ruim nem deu as caras e fomos gentilmente despertados por uma garoa fina passageira. Tudo em ordem.

Depois de reencontrar um casal de amigos belgas que recem pedalaram a Carretera Austral, os animos se realcaram com os relatos.  Tida como o atual paraìso dos cicloviajantes, o trecho de estradas de terra entre Vila O`higgins e Puerto Montt nos chama, e o encontro com pessoas vindas dali sò nos deixa ainda mais ansiosos.

Ao chegarmos ao Parque Nacional Torres del Paine, fomos recebidos pelo Sr. Josè, administrador, que nos isentou da entrada e nos dedicou seu tempo para a tradici0nal entrevista com questionamentos sobre o espaco das bicicletas dentro dos parques. Nos chamou a atencao o fato de nao ter conhecimento das atividades de trilhas de bicicleta guiadas que acontecem dentro do parque, oferecidas por um hotel ali presente. Fato este que sò descobrimos no ùltimo instante no parque, depois de 4 dias passando vontade de pedalar por aqueles caminhos tao bem cuidados…

Vai dizer que nao dà vontade…

Destaque espacial para uma curva presente neste trecho, batizada de Paso de los Vientos. Pelo nome e pelo jeito que a galera da foto se agarra nas pedras pra nao voar, podemos imaginar a brutalidade das rajadas. O mais engracado era ver que mesmo nos momentos em que todo mundo se apavorava com tal ventania numa beirada de trilha, familias passavam tranquilamente segurando as criancinhas pelas maos. Serà que estamos ficando velhinhos??

Destaque na foto para os alforges dianteiros Alpamayo, feitos e comercializados por quem entende.

O camping Las Torres, na base das mesmas, è um ambiente peculiar. Muita gente ali sò esperando o tempo abrir pra trepar nas fascinantes Torres del Paine. Escaladores do mundo todo. Barracas que vem e vao numa velocidade incrivel. As torres em si sao um espetaculo a parte. Entendo agora de onde vem a vontade de subi-las.

Atualizando entao o placar da competicao de exercito mais gente fina, a Gendarmeria Nacional Argentina lidera o placar com 2 x 0 sobre os  Carabineros de Chile. Uma noite muito bem dormida em uma cadeia abandonada e uma carona levam o time argentino a lideranca disparada.

Compromissos cumpridos dentro do parque, hora de voltar pra estrada. No nosso caminho um longo trecho sem nada e na nossa matula pouca comida. Fomos a uma fazenda pedir pra comprar qualquer coisa. Arroz, farinha, o que fosse.  A idèia de nos oferecermos a pagar pela comida parecia uma ofensa ao capataz que gritava: Da-me um cuchillo!!!!!!!

Nosso regalo aparece na foto, mas o 1kg de arroz que o acompanhou nao aparece. Um sal ganhado do frentista do posto e nossa janta estava completa. Nao adianta, tudo vai dar certo. Continuem conosco. Os comentàrios tem um valor indescritìvel nesse momento. Participem. Abracos de toda a equipe.

15/01/2010

 

Mataguanaco. Mesmo com esse nome, um membro de nossa equipe cujo nome manteremos em segredo, experimentou e relatou um sabor extremamente doce. Criancas nao tentem isso em casa…

Elas chegaram! Depois de longos 10 dias nossa bicicletas foram trazidas em meio a uma madrugada fria a cidade de Rio Gallegos, onde nossa internacao abstemia chegou ao fim, ao pedalarmos as duas quadras que separavam o galpao da transportadora até a rodoviária. As bicicletas chegariam no meio da madrugada, com horário estimado para as 2 horas. Quando deu 2:30 e nada, bateu o desespero. Leonardo e Renan plantados na porta e nada. Muita coisa passava pela minha cabeca. As bikes poderiam nao chegar, ou virem danificadas, faltando uma… Panico. Quando bateu mesmo, saímos em busca de um telefone do qual poderíamos ligar pro maluco da transportadora. Sem sucesso telefonico, caminhava de volta a porta da transportadora e pensava que naqueles 10 dias, em nenhum momento eu havia tido Fé, em nenhum momento tinha pedido para as forcas que comandam a Natureza que nossas bikes chegassem bem. E foi nesse clima de Perdao X Culpa X Desespero que ouvi um barulho de caminhao parado. Poucos passos foram suficientes para que avistasse El Cuervo, o caminhao que tanto esperávamos. Eram 5 bicicletas. Inteiras! Mais 12 horas rumo ao Sul, de onibus, e ali estávamos, prestes a experimentar a sensacao de estar no fim do mundo.

 

Eis que entao as atividades relativas ao projeto em si se iniciam. Nosso primeiro passo foi visitar o Consulado Chileno no Ushuaia em busca de informacoes a respeito da construcao de um caminho ligando Valle Castor a baía  Yedengaia, no lado Chileno da Grande Ilha da Terra do Fogo. É um caminho por entre as montanhas, pelo Valle de la Muerte.  Nos economizaria um bom tempo e com certeza 5 dias andando em trilhas pelas montanhas nos faria comecar a viagem muito bem. Infelizmente existe a passagem de um rio e nao há com faze-lo ainda. Existe um projeto em andamento, de construcao da estrada por parte dos Carabineros de Chile, e se trata de uma estratégia de ligar Puerto Williams a parte contígua ao território Chileno, facilitando os tramites alfandegarios e logísticos. A briga ali ente os dois países é pra ver quem vai ser o portal de entrada pra Antártida, tida como o grande destino turístico do futuro próximo, por ser a única regiao do planeta que permanece relativamente intocada. E disso os turistas gostam.

 

Próximo passo: Parque Nacional Tierra del Fuego. Ao visitarmos a administracao, fomos recebidos meio que na correria pelo chefe dos guarda-parques que nos entregou o plano de manejo e nos direcionou ao parque, onde fomos recebidos pelo guarda-parque Pablo, que resolveu tudo que queríamos saber sobre a regiao mas tínhamos medo de perguntar. Personagem único, nos recebeu de forma inigualável e demonstrou bastante conhecimento sobre o local. Nos explicava sobre o perfil mórbido de 80% dos turistas que visitam o parque. Chegam a Ushuaia em navios de cruzeiro, tomam um onibus até o parque, um trem, outro onibus e se vao em um barco. Nada de trilhas, cheiro de mato, contato com animais. Só fotos junto a placa de Fim do Mundo, refrigerantes e pipoca pros macacos no domingo.

As formalidades todas iam muito bem, mas literalmente, nao tínhamos pra onde fugir (pelo menos por terra…) e o jeito era comecar a pedalar. Um trecho de ripio (estrada de terra com pedras)  leve separa o Parque Nacional da cidade de Ushuaia. Nesse trecho o transito de onibus de turistas é intenso e cada curva vira uma emocao.

É nítida a melhora na cara das pessoas depois que se comeca a pedalar… Paso Garibaldi ao fundo.

A fuga de Ushuaia. Quando se chega, a Natureza te diz pra ir embora. Quando se tenta ir embora, a Natureza te castiga por nao querer ficar. Sol, chuva e vento. Tudo ao mesmo tempo. Os relatos de viagem ao sul da Patagonia que lemos antes de viajar eram todos muito desanimadores. Agora entendo. Tivemos o prazer de ver um pouco de sol em Ushuaia, coisa rara. Uma noite dormida sob a protecao da Defesa Civil de Lago Escondido e outra em uma Estancia. Esses 10 dias sem bicicleta nos serviram para confirmar a diferenca de tratamento que se recebe quando se chega em bicicleta. Cartao de visita de primeira.

 

Seguimos agora em direcao a Punta Arenas, já em território chileno. Agradecemos desde já todos os comentários. Voces nao imaginam o quanto isso toca nossos coracoes aqui nesse fim de mundo.

Abracos de toda a equipe EcoAustral 2010

06/01/2010

“Quien no conoce el bosque del sur de Chile, no

conoce este planeta”

Pablo Neruda, Confieso que he vivido, 1974

Sim, aquela montanha de bagagens que se formou foi entao dividida entre todos e depois de uma madrugada em claro pra encarar a jornada enlatados, as bicicletas foram colocadas no bagageiro sem grandes problemas. Tudo ia bem, com o just-in-time de sempre, quando percebemos que nosso amigo Renan estava sem RG nem Passaporte. Liga pra là, segura o latao aqui, chega o documento errado. 1 hora de atraso no latao, e nao teve jeito, sò foi embarcar mesmo em Imbituba, onde chegou de certa maneira adiantado e ainda conseguiu almocar. Tamanho o sossego que o bicho ainda tirou uma pestana no carro no caminho.  28 horas depois abrìamos os olhos na cataclismàtica Buenos Aires. Foram 4 horas em que nos separamos atràs de combustìvel para fogareiro, cambio de moeda, passagens, parafusos, sobrevivencia de bicicleta em meio ao transito e voltar na hora pra encarar mais 36 horinhas pra cada vez mais longe de casa. Sabìamos que ao acordar no dia seguinte dentro do onibus, estariamos em um lugar bem mais frio, inòspito e ventoso.  E isso sò se intensificou com o passar do tempo.

O panico tomou conta quando nos demos conta de que no bagageiro daquele onibus, mal caberiam as bagagens de todos, quanto mais as 5 bicicletas.  Nao teve jeito,  tivemos que despacha-las em um caminhao que as levou pra um passeio em Mendoza, Bahia Blanca e onde elas agora estao: Comodoro Rivadavia.

Isso nos deu tambem 10 dias de ociosidade. As escolhas na hora do despacho foram feitas de modo a conciliar tempo de espera, custo, local onde passarìamos o ano novo e fatores aleatòrios como a cara feia do sujeito que ficou com as nossas bicicletas. Serà que ele realmente entendia o valor que aquilo tinha pra nòs…

Algumas horas na rodoviària de Rio Gallegos foram o suficiente para que buscàssemos algum outro lugar pra ficar enquanto as bicicletas nao chegassem. Rio Gallegos nao è de fato um local turìstico, exceto para os àrabes que muito se interessam pelos poços de petròleo escondidos no deserto e  por aqui transitam.

Decidimos entao partir pra El Calafate, onde haviam morros que se pudesse subir, mais vida, menos vento. Foi uma òtima opcao pra quem estivesse a fim de passar vontade de andar de bicicleta. A cidade è rodeada de montanhas onde náo existem trilhas, mas teias. Sáo inùmeros caminhos possiveis, sem marcas de pneu de bike.

Subimos no primeiro dia o Balcon de Calafate e no seguinte o Cerro Huyliche, ambos por vias inusitadas tanto na subida quanto na descida, com especial atençao para a subida do Huyliche, onde a coisa realmente engrossou, ao chegarmos em um trecho com muitas pedras soltas e bastante inclinado. O fato de náo termos cordas, equipamentos ou mesmo instrucao deu uma certa emocao pra aquilo que deveria ter sido uma caminhada sem compromisso. No meio do panico ali eu tentei fazer algumas fotos que dessem um pouco da ideia.

El Calafate, com um clima de turismo bastante elitizado, guarda um potencial enorme de presença de bicicletas nas montanhas. Algumas lojas operam passeios de 6 horas nos quais se pedala 2 e enfiam almoços e translados pra agregar valor ao serviço. Existem bicicletas para aluguel, o que nos foi bastante tentador na atual condiçao BIKELESS que nos encontramos.

Esse vazio nos intrigou e fomos conversar de perto com o Eduardo, guia credenciado do Parque Nacional Los Glaciares para operar passeios em Mountain Bike na regiao. Sujeito tranquilo que toca uma loja e oficina que ficam fora do circuito poodle-casaco de pele de El Calafate. Nos explicou que esse regulamentçao è relativamente nova, e atè ele parece se surpreender com isso. Apesar de nos desmotivar a explorar  a regiao independentemente, contribuiu ao nos explicar como esse processo vem se desenvolvendo, o que vai direto ao encontro de um de nossos objetivos, que é o de conhecer o espaço das bicicletas dentro das áreas de preservaçao.

Seguimos aqui no tantri-ciclismo de quem já passa vontade de pedalar hà 10 dias. Quero ver a hora que abrir a jaula e soltar os bichos na estrada.  Aprendemos esse dias que por seu isolamento, Ushuaia jà foi uma colonia penal (que nome bonito!), e a idèia de sumir de là pedalando deu um clima de fuga pra nossa viagem.

Agora em negociaçáo com Carabineros e Gendarmeria pra tentar agendar os cruzamentos de fronteira que podem dar um ar todo especial pra pedalada. Os aduaneiros do lado chileno da Terra do Fogo agora decidiram entrar em greve pra tornar os desafios ainda mais saborosos pra nòs.

Agora prestem bastante atençao a foto abaixo: ela contem um tesouro escondido. Atropeladores de buraco de plantao, uni-vos!!!

Aguardem por mais notìcias – Eco Austral 2010

 

04/12/2009

“Quien no conoce el bosque del sur de Chile, no

conoce este planeta”

Pablo Neruda, Confieso que he vivido, 1974

Acompanhando diariamente os grupos virtuais de discussão, associações, eventos e manifestações em defesa do uso da Bicicleta, confirmamos estar no caminho certo. O uso desse veículo relativamente simples e eficiente acaba se tornando um hábito que quase sem querer nos envolve em tantas discussões, nos traz idéias de inovação, nos faz ir em busca de nossos limites físicos e acende dentro de nós uma chama que nos mantém vivos: perceber que fizemos algo que não sabíamos ou não acreditávamos que éramos capazes. A partir do momento que isso toma um formato coletivo, e percebemos que podemos também motivar pessoas a quebrar paradigmas, aceitar alternativas e superar seus próprios limites, surge um sentimento muito positivo de que estamos de fato fazendo algo por um mundo melhor. E é com essa motivação que nos unimos mais uma vez para levar pessoas a fazerem sua primeira viagem em Bicicleta, com a satisfação de saber que as sementes que plantamos nas palestras, áudio-visual, exposições fotográficas e relatos das viagens anteriores, estão brotando. Somos esse ano um dos três grupos de alunos da UFSC que se organizaram em torno do objetivo comum de utilizar a Bicicleta como meio de transporte em longas distâncias. E temos também o prazer de idealizar o presente projeto em parceria com um grupo de ciclistas chilenos com ideais e interesses em comum. Eis a descoberta da Bicicleta como instrumento de socialização e articulação em busca de denominadores comuns. Tal parceria chama também nossa atenção a conhecer a problemática atual de nossos vizinhos de fronteira, e mais uma vez nos mostra que compartilhamos situações bastante semelhantes e temos muito o que aprender com as experiências um do outro. A região aqui tomada como roteiro, exerce fascínio em qualquer um que se depara com relatos de pessoas que por ali pedalaram. As altas latitudes, as condições extremas de terreno, clima e isolamento, despertam uma vontade imensurável de chegar aos confins do continente com o esforço das próprias pernas. A  garantia do bem-estar físico e mental ao final da pedalada nos dá a certeza de que estaremos  fazendo a escolha que mais nos garante nossa auto-preservação, tanto pelo que provoca ao ser como pelo que não provoca ao meio.


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