Apesar de termos saído de Santiago 15 horas antes do terremoto e chegado no Brasil após o término do horário de verão, seguimos na nossa batalha diária de continuar vivos sobre duas rodas em meio a tanto descaso e negligência por parte dos motoristas. Nesse meio tempo, fui agredido de moto por uma motorista que simplesmente “não me viu”. Isso talvez tenha me chamado a atenção não tanto por ser a primeira queda de moto no trânsito na vida, mas por ter me feito sentir algo mais do que o “jah bless this driver” que sempre senti ao ser agredido. Uma indignação por saber que embora isso não seja normal, tenho que concordar que é algo comum. Eu não vi a moto… Eu não vi a bicicleta… Eu não vi o pedestre… Eu não vejo nada que é menor do que o veículo que eu dirijo. E assim se estabelecem as relações de poder no trânsito. Se você não tem rodas nem motor, tás no inferno. Se tem uma roda é palhaço. Se tem 2 rodas, não te vi. Se tem 3 rodas é excêntrico (fora do eixo), se tem 4 rodas ou mais, começa a poder se prevalecer disso, em ordem crescente de rodas, potência, massa, e consequentemente inversa: eficiência energética.
Nesse cenário assistimos também o projeto de lei que visa a inclusão da estrutura cicloviária no plano diretor municipal de Florianópolis ser vetado pelo governador do estado e só o circo armado acerca da elaboração do mesmo, pode explicar as piadas que tentamos entender sem achar muita graça.
A volta à realidade é sempre um choque. O exercício é o de manter mesmo em nossas vidas diárias na cidade, a abertura e postura de quando viajamos. Aceitando mais, conhecendo mais e não nos deixando abalar por quaisquer que sejam as condições externas. Seu corpo é sua igreja, suas atitudes são suas religião. Seu “religare” com a essência do que faz bem pra você e pro mundo. Saber que mesmo embora muita gente ache que você é esquisito por querer viajar em bicicleta, ou por qualquer outro bom hábito que você tenha, quem realmente pode saber o que te faz bem é você mesmo. E quem deve saber o que é melhor pra todo mundo, é todo mundo! Pedalemos todos pra dentro das cabeças das pessoas para que elas se lembrem de nós antes de mudar de pista.
Nossa equipe já está toda de volta, viva, e cheia de idéias nas cabeças arejadas pelo vento Patagônico.
Centro de Eco-turismo na Ufsc, Yendegaia, o grande pedal do próximo verão, mestrado, barco solar, tcc… Tem de tudo. E sabemos que o volume de realizações depende diretamente do nosso empenho. Nos sentimos fortes no frio, na chuva, na subida e na hora das decisões. Nosso combustível mais aditivado está no fundo de nossos corações. Pedalar faz isso balançar e não encracar lá no fundo.
Elimine as coisas que te arrastam.
Livra-te dessa 1 tonelada de armadura de aço e plástico que carregas!


02/05/2010 às 2:30 pm |
Galerinha!
Podem reservar 2 cadeiras pra nois lá!!!!!!!! Vamos estar na palestra de ctz……. abraçoooooooo
12/05/2010 às 8:08 am |
[...] Eu amo andar de bicicleta! Eu sei a liberdade que é! – L. Sobral – relato e divulgação no blogue do Projeto EcoAustral 2010 [...]