“Quien no conoce el bosque del sur de Chile, no

conoce este planeta”

Pablo Neruda, Confieso que he vivido, 1974

Sim, aquela montanha de bagagens que se formou foi entao dividida entre todos e depois de uma madrugada em claro pra encarar a jornada enlatados, as bicicletas foram colocadas no bagageiro sem grandes problemas. Tudo ia bem, com o just-in-time de sempre, quando percebemos que nosso amigo Renan estava sem RG nem Passaporte. Liga pra là, segura o latao aqui, chega o documento errado. 1 hora de atraso no latao, e nao teve jeito, sò foi embarcar mesmo em Imbituba, onde chegou de certa maneira adiantado e ainda conseguiu almocar. Tamanho o sossego que o bicho ainda tirou uma pestana no carro no caminho.  28 horas depois abrìamos os olhos na cataclismàtica Buenos Aires. Foram 4 horas em que nos separamos atràs de combustìvel para fogareiro, cambio de moeda, passagens, parafusos, sobrevivencia de bicicleta em meio ao transito e voltar na hora pra encarar mais 36 horinhas pra cada vez mais longe de casa. Sabìamos que ao acordar no dia seguinte dentro do onibus, estariamos em um lugar bem mais frio, inòspito e ventoso.  E isso sò se intensificou com o passar do tempo.

O panico tomou conta quando nos demos conta de que no bagageiro daquele onibus, mal caberiam as bagagens de todos, quanto mais as 5 bicicletas.  Nao teve jeito,  tivemos que despacha-las em um caminhao que as levou pra um passeio em Mendoza, Bahia Blanca e onde elas agora estao: Comodoro Rivadavia.

Isso nos deu tambem 10 dias de ociosidade. As escolhas na hora do despacho foram feitas de modo a conciliar tempo de espera, custo, local onde passarìamos o ano novo e fatores aleatòrios como a cara feia do sujeito que ficou com as nossas bicicletas. Serà que ele realmente entendia o valor que aquilo tinha pra nòs…

Algumas horas na rodoviària de Rio Gallegos foram o suficiente para que buscàssemos algum outro lugar pra ficar enquanto as bicicletas nao chegassem. Rio Gallegos nao è de fato um local turìstico, exceto para os àrabes que muito se interessam pelos poços de petròleo escondidos no deserto e  por aqui transitam.

Decidimos entao partir pra El Calafate, onde haviam morros que se pudesse subir, mais vida, menos vento. Foi uma òtima opcao pra quem estivesse a fim de passar vontade de andar de bicicleta. A cidade è rodeada de montanhas onde náo existem trilhas, mas teias. Sáo inùmeros caminhos possiveis, sem marcas de pneu de bike.

Subimos no primeiro dia o Balcon de Calafate e no seguinte o Cerro Huyliche, ambos por vias inusitadas tanto na subida quanto na descida, com especial atençao para a subida do Huyliche, onde a coisa realmente engrossou, ao chegarmos em um trecho com muitas pedras soltas e bastante inclinado. O fato de náo termos cordas, equipamentos ou mesmo instrucao deu uma certa emocao pra aquilo que deveria ter sido uma caminhada sem compromisso. No meio do panico ali eu tentei fazer algumas fotos que dessem um pouco da ideia.

El Calafate, com um clima de turismo bastante elitizado, guarda um potencial enorme de presença de bicicletas nas montanhas. Algumas lojas operam passeios de 6 horas nos quais se pedala 2 e enfiam almoços e translados pra agregar valor ao serviço. Existem bicicletas para aluguel, o que nos foi bastante tentador na atual condiçao BIKELESS que nos encontramos.

Esse vazio nos intrigou e fomos conversar de perto com o Eduardo, guia credenciado do Parque Nacional Los Glaciares para operar passeios em Mountain Bike na regiao. Sujeito tranquilo que toca uma loja e oficina que ficam fora do circuito poodle-casaco de pele de El Calafate. Nos explicou que esse regulamentçao è relativamente nova, e atè ele parece se surpreender com isso. Apesar de nos desmotivar a explorar  a regiao independentemente, contribuiu ao nos explicar como esse processo vem se desenvolvendo, o que vai direto ao encontro de um de nossos objetivos, que é o de conhecer o espaço das bicicletas dentro das áreas de preservaçao.

Seguimos aqui no tantri-ciclismo de quem já passa vontade de pedalar hà 10 dias. Quero ver a hora que abrir a jaula e soltar os bichos na estrada.  Aprendemos esse dias que por seu isolamento, Ushuaia jà foi uma colonia penal (que nome bonito!), e a idèia de sumir de là pedalando deu um clima de fuga pra nossa viagem.

Agora em negociaçáo com Carabineros e Gendarmeria pra tentar agendar os cruzamentos de fronteira que podem dar um ar todo especial pra pedalada. Os aduaneiros do lado chileno da Terra do Fogo agora decidiram entrar em greve pra tornar os desafios ainda mais saborosos pra nòs.

Agora prestem bastante atençao a foto abaixo: ela contem um tesouro escondido. Atropeladores de buraco de plantao, uni-vos!!!

Aguardem por mais notìcias – Eco Austral 2010

 

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12 Respostas to “”

  1. MARIA DE LURDES SANCHES Says:

    Adorei a narração das emoções, as fotos ousadas,…mas, me encantam as flores que desabroc ham nas regiões frias, com seu colorido intenso….Adorei Le, na medida do possível, fotografa pra mim!!!????? agora, melhor que tudo é estar aí vivenciando tudo isso né. se cuida, queremos vc de volta porque te amamos muito. Beijos. Mama.

  2. Andre Costa Says:

    Ae Galera!!!!!!
    Bom ter notícias de vocês!!!!!
    E vamo começar esse pedal ae! =))))))

    Abraçãoooo

  3. robson Says:

    FAaaaaaaaaaaala RAcinha mais ou menos!!!

    Antes de mais Nada parabens pelas conquistas até agora e um FELIZ ANO NOVO!!

    PArabens pelo RElato ET.. ficou muito bom!!

    Poupem os riscos… há muita historia pela fernte.. qquer erro pode ser muito comprometedor… sucesso a todos e fiquem com JAH!

    msm longe vcs, estou bem perto!

    Forte Abraço,

    Robão

  4. Ana Vivian Says:

    Hei, ótimo relato! Dá pra imaginar bem o “soltar os bixos da jaula”, hehehe, 10 dias de abstinência de bicicleta é complicado!!! Boa sorte com as burocracias aew…

  5. Guieid Says:

    Da-lhe rastafilsks!

  6. Paulinho Says:

    Fala rapaziada!!!! Feliz ano novo a todos e muito sebo nas canelas!!! Esmerilhem as panturrilhas!!

    Massa ter notícias de vocês! e tomara que as magrelas cheguem logo!!

    Aproveitem o rípio que encontrarão pela frente, valorizems todos os visuais.

    Postem fotos e relatos sempre que der.

    Grande abraço e muita positividade nessa trip!

    Paulinho

  7. Marlene Scirea Says:

    Oi Maurício e guerreiros das bikes!
    Boa sorte nas bilhares pedaladas. Que maravilhosa oportunidade vocês estão se proporcionando. Tamanho sonho, tamanho desafio e tamanho esforço só podem acrescentar muita energia boa a cada um de vocês.
    Os percalços do caminho? Estes, tirarão de letra… é só ficarem unidos e sempre apelarem pelo bom senso. A natureza que os envolve, certamente acalentará o cansaço!
    Abraços e Força!!

    Marlene

  8. Iara e Nestor Says:

    Eaii Rapaziada aventureira, o descanso desses dias que antecede a longa pedalada q esta por vir com sucesso e responsa com muita curtição das coisas bela da natureza. Desejamos q todos estejam felizes. Mau te amamos muito, a saudade eh grande e sabemos q estas radiante com esse novo desafio. Filho a tua impolgação eh contagiante te cuida bjos e sucesso a todos nessa jornada.

  9. dani Says:

    fala, macacada!!
    legal ter noticias de vcs, ainda mais num relato inspirado do nosso amigo extraterreno! devem é tar usando muito aquela famosa frase :”- nosotros teniemos un proiietoo” ahuahuiaiua
    feliz ano novo para essa raça aventureira!! fiquem na proteção de Deus e mandem noticias assim q puderem!

    abração,
    Dani

  10. Tè Dal Pont Says:

    Oi Rafa!!
    Estou acompanhando e adorando o relato e as fotos.
    Muitas emoções, muitos desafios.
    Mas vcs são guerreiros e prá guerreiros naõ há desafios só vitórias!!
    Aproveitem todas as oportunidades pq o universo está conspirando à favor de todos aí.
    Se surgir algum obstáculo, ultrapassem com coragem,pq a torcida aqui está todinha à favor de todos vcs.
    Pensamentos sempre positivos!!
    Só naõ esquece que seu corpo tem um limite fisíco….naõ tente ultrapassa-lo.No mais, segue em frente!!
    Te amamos muito.
    Um beijão.
    Mamy.

  11. Jou Says:

    Beleza cicloviajantes,
    Curti pacas o relato destes primeiros dias de retiro espiritual com abstinência de pedal, tomem cuidado com o frio austral nos joelhos nos primeiros dias camaradas! (Quando pedalei por ai tive uma inflamação já no primeiro dia de pedal, depois de 5 dias sentado no carro, por ter exagerado na dose).

    Aguardo agora as noticias das primeiras pedaladas!
    Nas palavras do Pereira: “Huli-Huli!”

    abração pra todos

  12. Fabio Weber (Brasilia) Says:

    Que aventura sensacional!!!

    Parabéns a todos que participaram desse mega projeto!! As fotos e a narrativa estão excelentes!! Adorei!!

    Um forte abraço ET e bom retorno!

    Brasa

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